Duarte - Fados Meus

9 de Outubro pelas 22h



Happy Fridays





Voz de Barro

Com a sua voz poderia ter incorrido em diversas aventuras pautísticas, poderia ter percorrido caminhos diversos, mas, tenho a convicta certeza que ele é que é o caminho encontrado.

Como o barro se entranha e comanda as mão de um artesão também o fado invade a voz do Duarte e comanda-o. Nunca encontro a separação nem o impulso que provoca aquele cantar.

Há nos seus fados um resvalar da sua deformação emocional, uma imensa promiscuidade entre a voz e os silêncios. Esbate-se qualquer memória do fado que ouvimos até chegarmos aqui. Havia um novo caminho a ser percorrido, e muitas vivências a procurarem espaço para habitarem.

Foi destas necessidades que renasceu esta forma de expressão, um encontro inadiável do Duarte com a música.



O fado do Duarte relembra-nos que estamos inundados do tempo que passou e que nada resta para além do que somos hoje. Há dias em que somos nós, outros em que nem por isso, mas quando nos deixamos invadir por este fado somos seguramente cada vez mais nós.



E é nos fados seus que revemos o nosso próprio fado...