
rock / spoken word
sábado 15
pelas 23h

Pat Kay é uma figura carismática que nos seduz e nos guia para o seu universo intenso, com ziguezagues fluidos e fulgurantes nas línguas e culturas onde se move.
Ávido de encontros e porque que Paris é uma cidade propícia aos intercâmbios, cruza-se um dia num programa de rádio com o bluesman Dan Inger. Graças às composições deste, um velho sonho acabaria por tomar corpo: o projecto Montmartre. A chegada de JAP (guitarra) marca o início do colectivo The Gajos. O qual ficará completo com Mitch na bateria, François no baixo, Victor nas teclas e Valérie a dar a réplica a Pat Kay, sendo a voz-sombra deste. As influências cruzam-se ao sabor dos ventos, dos encontros, das amizades. Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta,
Mécanosphère…), Franz Treichler (The Young Gods), Marco de Oliveira e Rodolphe Burger (Kat Onoma), … Pat Kay recorda muitas vezes um momento único de magia, quando Rodolphe Burger, apaixonado pela poesia de Fernando Pessoa, lhe interpreta um dos seus poemas de maneira inédita e magistral. Deveras estimulante.
Calvin Russell, encontro num fim de tarde parisiense; as tatuagens narram o percurso deste homem rugoso e modesto. Antonio Manuel Ribeiro, mentor dos veteranos UHF, que lhe propôs revisitar um tema da discografia da banda de Almada. Yann Lavoix, famigerado escritor/jornalista francês, autor da letra de La Nasse. Fred Alpi, o rocker globe-trotter e libertário, conhecido graças ao JAP…
Montmartre
Uma simbiose de músicas e de textos realizada com rigor e talento. Uma obra que se escuta como um todo. É a vida de todos, que surge oferecida a cada um.
Pressure, o primeiro tema, instala o cenário. « Agora que o Inverno armou a cilada/Encontro-me na cidade errada/No interior, um vento gélido a soprar/Cá dentro, tenho o sangue a coagular… ».
Progressivamente, os outros temas vão chegando e construindo um universo no qual os textos incisivos são ora irónicos ora cáusticos. E a narração de Pat Kay é uma espécie de prisma, de caleidoscópio do mundo onde todos se encontram e reconhecem. Arranjos « Pink Floydianos », interpretações algo « Gainsbourianas » ingredientes banhados em ambiências que fazem muitas vezes lembrar as de Nick Cave, Tom Waits, Tindersticks ou Alain Bashung.
Os textos encontram assim uma textura musical minimalista que lhes permite expôr todo o sentido, toda a substantífica medula. Em palco, o débito constante, quase hipnótico, é subitamente rasgado, ver sublimado pelos solos dos músicos ou da corista Valérie.
Desta forma Pat Kay and the Gajos encontram-se sempre no fio da navalha, quais funâmbulos, equilibristas na colina de Montmartre.

www.patkayandthegajos.com
www.myspace.com/patkaythegajos