lobster | 25 abril | espaçoCELEIROS





"São dois e não temem ninguém.

Intitulam-se power-rangers do noise rock, mas ao contrário dos super-heróis, Guilherme Canhão e Ricardo Martins não possuem super-poderes; isto pelo menos se considerarmos que a química que os une não é em si um super-poder. Cansaram-se de combater o crime e nos últimos tempos incendiaram palcos sempre que para isso tiveram oportunidade (mais de 50 vezes, diz-se); não só em Portugal, mas também em Espanha e em França. Com a devida urgência na pele e electricidade nas mãos, editaram música através dos meios que estavam ao seu alcance – o CD-R e as netabels. Fizeram mossa desde os primeiros tempos, transformaram-se rapidamente numa das melhores bandas portuguesas ao vivo e agora havia que dar um passo decisivo e corajoso em frente.



Sexually Transmitted Electricity é o primeiro bilhete de identidade da dupla depois de algumas licenças prévias que ficaram para a história. Ao longo de doze temas, os Lobster consubstanciam um encontro improvável de riffs impossíveis com percussão igualmente improvável. Conseguem-no através de um conjunto de temas que fizeram parte da carteira dos Lobster (registados em Fast Seafood) e algumas criações recentes – todas elas no vermelho, no limite. Rock matemático mas com a sensibilidade suficiente para ser indubitavelmente belo (assim é aquele que consideram como o primeiro de todos os temas, “Farewell Chewbacca”, metade sova metade beleza). Rock sem rede de segurança e com som a fazer justiça (cru e directo); ouvir “Dr. Phil” é o mesmo que cheirar de perto o doce e o amargo, e sereno e o violento, a vida e a morte – e ao mesmo tempo rejuvenescer consideravelmente pelo caminho.

Sexually Transmitted Electricity, produzido por Paulo Miranda e Rodrigo Cardoso no AMPstudio em Viana do Castelo, é um documento que apanha os Lobster no seu melhor momento. Não chegou tarde nem cedo; chegou mesmo a horas. Tamanha urgência merecia um disco assim – uma estreia mais do que notável. Mais do que concretizar de desejos e expectativas, em Sexually Transmitted Electricity os Lobster diluíram as influências que lhes apontavam inicialmente e construíram algo próprio – e transmissível. Tal como se esperava, conseguiram registar a força e premência das actuações ao vivo e ainda provocar um abanão no panorama musical português. 

Aqui, mais do que nunca, os Lobster fazem justiça ao lema ou que os acompanha há já algum tempo e que ameaça ficar para sempre: “Keep it Brutal”."


Texto André Gomes | Fotografia Nuno Mendes 

depois desta descarga de electricidade a festa continua!



160º aniversário SHE



No próximo dia 23 de Abril, a Sociedade Harmonia Eborense cumpre o seu 160º aniversário. Para assinalar a ocasião, realizar-se-á uma breve sessão comemorativa às 18h00, seguida de um lanche, para os quais se convidam todos os associados e amigos desta colectividade.
 
Durante a sessão serão igualmente anunciados os trabalhos vencedores do Concurso de Fotografia.
 
À noite, pelas 22h00, haverá concerto com o Agrupamento Lauro Palma na Praça do Giraldo.
 
Apareçam, amigos.


norberto lobo | 17 abril | SHE




"Norberto Lobo é um músico lisboeta e "Mudar de Bina" o seu primeiro álbum em nome próprio. Um disco quase absolutamente centrado na sonoridade da guitarra acústica e, por essa via, na capacidade expressiva e interpretativa de Norberto Lobo como guitarrista.
Nestes dias de produção musical “cuidada” é fácil esquecermo-nos do carácter eminentemente físico de alguma criação musical. Discos como "Mudar de Bina" contribuem de alguma forma para a reversão desta tendência. Os truques de produção são mínimos e apenas direccionados a ajustar esta música ao seu ambiente natural: precisamente o seu carácter físico, humano, popular. O álbum foi gravado literalmente entre casa e a rua, e a sua audição revela de forma quase auto-evidente o quanto há de ajustado nesta circunstância. As melodias evocadas, as harmonizações relativamente complexas (em boa parte próprias das características do instrumento) e a abordagem simples e directa da interpretação criam um ambiente de intimidade e de uma certa melancolia que se poderiam dizer “caseiros”; e no entanto há uma força vital, um vigor no ataque e um muito saudável afastamento de toadas sentimentalistas que aproximam claramente este disco da “rua”.

Da música propriamente dita pode dizer-se que se baseia numa apropriação moderna de vários elementos de tradição sólida e multicultural. Na revisão desassombrada do que lhe é passado (chamar-se o disco "Mudar de Bina" é já um sinal dessa bem disposta intrepidez) reside o maior respeito que Norberto Lobo poderia votar a essa mesma tradição que “desvirtua” – seja ela a da nossa música popular, seja a do legado de John Fahey e da “escola” associada à Takoma Records. Por outro lado, a assunção elementar do instrumento, com as suas potencialidades e limitações, e a alegria primeira de produzir som e de o sentir no corpo como vibração física parecem transmitir-se ao ouvinte e comunicar com ele a esse nível de fruição que diríamos haver-se perdido, ou pelo menos adormecido, pela forma como nos habituámos a ouvir música: consumindo-a, mais do que a apreciando. Não que esta música seja “difícil”; pelo contrário, a forma como é trabalhada – os baixos alternados, o vigor das harmonizações, a densidade dos arpejos, o brilho das linhas melódicas – põe a sua apreciação num patamar anterior ao da avaliação intelectual pura, no que uma vez mais se aproxima da música de carácter popular (dois dos temas são aliás variações sobre melodias populares). Nela indistintamente convivem elementos de pendor mais contemplativo com outros reveladores de uma alegria e humor vitais (não se tratará por certo de um acaso o facto de Norberto Lobo ter já antes colaborado com esses outros alegres exploradores de sonoridades, os München), assim como elementos de tradição com outros de inevitável - e desejável - modernidade. Mas nunca – e nisso se revela alguma da sensatez musical de Norberto Lobo – o tom geral deste conjunto de gravações resvala para uma apropriação “pós-moderna” dos elementos da tradição ou para um encobrimento bacoco da dívida que para com ela existe. Pelo contrário, a assunção dessas sonoridades que de alguma forma se tornaram de todos é cândida, descomplexada e fundamentalmente alegre, mesmo no seu registo intimista; e assim acaba por soar-nos também este disco."


Texto - Francisco Silva | Fotografia - Nuno Mendes


aquaparque | 9 abril | SHE





"Começar com uma falsa frase redutora: Portugal dos anos 80 no coração? Variações, Ocaso Épico, Pop Dell’Arte de “Free Pop”, “Independança” dos GNR, primeiro álbum dos Heróis do Mar, são referências que passam por “É Isso Aí”, umas permanecem mais tempo, mas existe sobretudo uma ligação a um certo DIY misturado com ingenuidade e, ao mesmo tempo, os conceitos bem delineados de músicos com ideias fortes. Já tínhamos confessado o nosso amor por “Siga Para Bingo”, canção dos Aquaparque na compilação Flur/Filho Único (Natal 2007).

Ficámos com desejo de mais e este álbum é, sem exagero, dos discos que mais ansiosamente aguardávamos desde final de 2007. Saídos dos extintos dAnCE DAMage, André Ferreira (também dos essenciais Tropa Macaca) e Pedro Magina formalizam em “É Isso Aí” um sólido leque de canções cantadas em português sem que a nossa língua pareça estranha ou sem musicalidade.
Trabalhar assim uma língua tão difícil como a nossa surge com incrível naturalidade. A escrita de André e as entoações de Pedro cortam estigmas da canção cantada em português: podemos imaginá-la sem limites, equiparável à habitual anglo-saxónica, logo, sem entraves à imaginação. O céu é o limite, costuma dizer-se, e aqui ele está bem ao nível da terra e mesmo ao nosso lado. Este é o Portugal de aqui e agora, contemporâneo sem a mitificação da tradição, e é exactamente por isso que “É Isso Aí” nos põe a olhar para a frente e não a pensar demasiado no que está atrás. Aquaparque transportam muito entusiasmo pelas margens do rock mas sabem, como ninguém o fez cá até agora, atribuir-lhes um contexto nosso, pensar local, uma extraordinária adaptação do slogan “vá para fora cá dentro” porque o álbum é mesmo fora e muito nosso mas dispensa facilmente os habituais fantasmas da música portuguesa.

Afinal, falamos de músicos que se revelaram ao mundo e conviveram com a geração de Loosers, Caveira, Gala Drop, Fish & Sheep, One Might Add, só para nomear alguns. Tudo nomes que suscitam orgulho, porque não nos fazem sentir mais pequenos, não se limitam geograficamente: é música universal, como toda ela deve ser. Imaginem Panda Bear em plena no wave a tentar fazer música baleárica. Aquaparque avançam e recuam nas canções, confundem, baralham e às vezes não voltam a dar as cartas, mas nunca perdem o que faz de uma canção uma canção: acessibilidade, a estranheza que dá carisma. Sobrepõem samples, cortam-nas, fazem uma espécie de pop que quase dá para dançar, as melodias surgem por alquimia espontânea como se surpreendessem até os próprios músicos, a sensação é de que ISTO estava só à espera das pessoas certas para se manifestar em música.

É uma entidade que veio do Além, que é tudo o que conhecemos e tememos enfrentar mas também é o absoluto desconhecido. Demora a compreender as INCRÍVEIS letras, mas isso é um exercício valioso para descobrir o verdadeiro objecto cultural que aqui temos. Todos nós - vocês incluídos - esperávamos por este disco."


o Cinema volta à SHE | programação Abril '09



O Cinema volta à SHE.

A SHE voltará à exibição de filmes, procurando ir ao encontro de diferentes gostos cinéfilos, iniciando esta nova fase de exibição, sem ciclos específicos, mas com um conjunto de filmes de qualidade que poderão ser "revisitados". 

A novidade é a exibição dos filmes ao sábado à tarde, alternando com segundas-feiras à noite.
A introdução dessa carismática figura da matiné é, pois aquilo que temos para oferecer, a par da qualidade que pauta a escolha dos filmes a exibir. 

A entrada é gratuita e reservada aos sócios da Sociedade Harmonia Eborense. 

Trazer os velhos sócios, fazer novos sócios, num ambiente acolhedor, é o mote de quem trabalha voluntariamente para criar animação e cultura na cidade de Évora, aqui na forma de cinema.

Apareçam, contamos com a vossa presença. 

Bons filmes! 


VOLUNTARIADO SHE



Por sermos uma associação sem fins lucrativos cujos recursos assentam fortemente no potencial de envolvimento dos nossos associados, a Sociedade Harmonia Eborense dispõe de um serviço de voluntariado com vista à concretização dos objectivos a que se propõe.

-----------------------------------------------------------------------------------
 
Condições requeridas:
- ser sócio;
- tempo disponível;
- vontade e responsabilidade.

Áreas de voluntariado:
a) Secções – existem neste momento seis secções: Secção de Cinema, Secção de Desporto, Secção de Música, Secção de Artes Plásticas, Secção de Teatro e Secção de Património, Estudos e Cidadania. A colaboração é enquadrada no plano de actividades de cada secção.

b) Sede – o voluntariado de apoio à sede consiste na disponibilização de tempo para integrar uma escala regular de serviço. As tarefas implícitas nesta escala passam por assegurar o serviço de cantina/bar da sede; por assegurar a entrada dos sócios na sede (pagamento de quotas, preenchimento de fichas de associado temporário ou júnior). A escala é dividida em grupos, cabendo a cada grupo uma contribuição de 3 horas num determinado dia fixo da semana e rotativo ao fim-de-semana.

c) Apoio a eventos e actividades – esta área de voluntariado destina-se aos sócios que, querendo contribuir, dificilmente o podem fazer de forma regular e permanente. Assim, integrados numa equipa, poderão envolver-se através do apoio a actividades e eventos pontuais como concertos, certames, colóquios, etc.

------------------------------------------------------------------------------------

Para ser voluntário, basta escrever para she.voluntariado@gmail.com e indicar a área pretendida.

Contamos com a ajuda de todos.