cinema na Harmonia | Maio 2009



DIA 4 – 2.ª FEIRA

Real: Todd Solondz
Dur: 134 mins.
Ano: 1998
Isolamento, alienação, felicidade. Um retrato dos subúrbios contemporâneos e dos demónios que os atormentam. Um olha provocador e sarcástico sobre o significado e os valores da felicidade na América dos nossos dias. Philip Seymor Hoffman em destaque.

DIA 9 – SÁB

Real: Zach Braff
Dur: 98 mins.
Ano: 2004
Com a bela e talentosa Natalie Portman, este filme é uma visita à adolescência, ao 
crescimento, aos fantasmas que nos confrontam quando estamos à beira do abismo e temos de agarrar a vida.

DIA 18 – 2.ª FEIRA
Real: Paul Thomas Anderson
Dur: 91 mins.
Ano: 2002
Filme estranho e encantador, conta com Adam Sandler em registo menos comum a contracenar com a perturbante e deliciosa Emily Watson, numa história de amor 
embriagante.

DIA 23 - SÁB
Real: Michel Gondry
Dur: 108 mins.
Ano: 2004
Mais um filme de grande elenco, em que a estrela maior é Jim Carrey, numa história não menos 
surpreendente.

entrada livre e reservada a Sócios SHE

mayday'09 | 1 de maio | SHE




agenda SHE Maio/Junho 09




lobster | 25 abril | espaçoCELEIROS





"São dois e não temem ninguém.

Intitulam-se power-rangers do noise rock, mas ao contrário dos super-heróis, Guilherme Canhão e Ricardo Martins não possuem super-poderes; isto pelo menos se considerarmos que a química que os une não é em si um super-poder. Cansaram-se de combater o crime e nos últimos tempos incendiaram palcos sempre que para isso tiveram oportunidade (mais de 50 vezes, diz-se); não só em Portugal, mas também em Espanha e em França. Com a devida urgência na pele e electricidade nas mãos, editaram música através dos meios que estavam ao seu alcance – o CD-R e as netabels. Fizeram mossa desde os primeiros tempos, transformaram-se rapidamente numa das melhores bandas portuguesas ao vivo e agora havia que dar um passo decisivo e corajoso em frente.



Sexually Transmitted Electricity é o primeiro bilhete de identidade da dupla depois de algumas licenças prévias que ficaram para a história. Ao longo de doze temas, os Lobster consubstanciam um encontro improvável de riffs impossíveis com percussão igualmente improvável. Conseguem-no através de um conjunto de temas que fizeram parte da carteira dos Lobster (registados em Fast Seafood) e algumas criações recentes – todas elas no vermelho, no limite. Rock matemático mas com a sensibilidade suficiente para ser indubitavelmente belo (assim é aquele que consideram como o primeiro de todos os temas, “Farewell Chewbacca”, metade sova metade beleza). Rock sem rede de segurança e com som a fazer justiça (cru e directo); ouvir “Dr. Phil” é o mesmo que cheirar de perto o doce e o amargo, e sereno e o violento, a vida e a morte – e ao mesmo tempo rejuvenescer consideravelmente pelo caminho.

Sexually Transmitted Electricity, produzido por Paulo Miranda e Rodrigo Cardoso no AMPstudio em Viana do Castelo, é um documento que apanha os Lobster no seu melhor momento. Não chegou tarde nem cedo; chegou mesmo a horas. Tamanha urgência merecia um disco assim – uma estreia mais do que notável. Mais do que concretizar de desejos e expectativas, em Sexually Transmitted Electricity os Lobster diluíram as influências que lhes apontavam inicialmente e construíram algo próprio – e transmissível. Tal como se esperava, conseguiram registar a força e premência das actuações ao vivo e ainda provocar um abanão no panorama musical português. 

Aqui, mais do que nunca, os Lobster fazem justiça ao lema ou que os acompanha há já algum tempo e que ameaça ficar para sempre: “Keep it Brutal”."


Texto André Gomes | Fotografia Nuno Mendes 

depois desta descarga de electricidade a festa continua!



160º aniversário SHE



No próximo dia 23 de Abril, a Sociedade Harmonia Eborense cumpre o seu 160º aniversário. Para assinalar a ocasião, realizar-se-á uma breve sessão comemorativa às 18h00, seguida de um lanche, para os quais se convidam todos os associados e amigos desta colectividade.
 
Durante a sessão serão igualmente anunciados os trabalhos vencedores do Concurso de Fotografia.
 
À noite, pelas 22h00, haverá concerto com o Agrupamento Lauro Palma na Praça do Giraldo.
 
Apareçam, amigos.


norberto lobo | 17 abril | SHE




"Norberto Lobo é um músico lisboeta e "Mudar de Bina" o seu primeiro álbum em nome próprio. Um disco quase absolutamente centrado na sonoridade da guitarra acústica e, por essa via, na capacidade expressiva e interpretativa de Norberto Lobo como guitarrista.
Nestes dias de produção musical “cuidada” é fácil esquecermo-nos do carácter eminentemente físico de alguma criação musical. Discos como "Mudar de Bina" contribuem de alguma forma para a reversão desta tendência. Os truques de produção são mínimos e apenas direccionados a ajustar esta música ao seu ambiente natural: precisamente o seu carácter físico, humano, popular. O álbum foi gravado literalmente entre casa e a rua, e a sua audição revela de forma quase auto-evidente o quanto há de ajustado nesta circunstância. As melodias evocadas, as harmonizações relativamente complexas (em boa parte próprias das características do instrumento) e a abordagem simples e directa da interpretação criam um ambiente de intimidade e de uma certa melancolia que se poderiam dizer “caseiros”; e no entanto há uma força vital, um vigor no ataque e um muito saudável afastamento de toadas sentimentalistas que aproximam claramente este disco da “rua”.

Da música propriamente dita pode dizer-se que se baseia numa apropriação moderna de vários elementos de tradição sólida e multicultural. Na revisão desassombrada do que lhe é passado (chamar-se o disco "Mudar de Bina" é já um sinal dessa bem disposta intrepidez) reside o maior respeito que Norberto Lobo poderia votar a essa mesma tradição que “desvirtua” – seja ela a da nossa música popular, seja a do legado de John Fahey e da “escola” associada à Takoma Records. Por outro lado, a assunção elementar do instrumento, com as suas potencialidades e limitações, e a alegria primeira de produzir som e de o sentir no corpo como vibração física parecem transmitir-se ao ouvinte e comunicar com ele a esse nível de fruição que diríamos haver-se perdido, ou pelo menos adormecido, pela forma como nos habituámos a ouvir música: consumindo-a, mais do que a apreciando. Não que esta música seja “difícil”; pelo contrário, a forma como é trabalhada – os baixos alternados, o vigor das harmonizações, a densidade dos arpejos, o brilho das linhas melódicas – põe a sua apreciação num patamar anterior ao da avaliação intelectual pura, no que uma vez mais se aproxima da música de carácter popular (dois dos temas são aliás variações sobre melodias populares). Nela indistintamente convivem elementos de pendor mais contemplativo com outros reveladores de uma alegria e humor vitais (não se tratará por certo de um acaso o facto de Norberto Lobo ter já antes colaborado com esses outros alegres exploradores de sonoridades, os München), assim como elementos de tradição com outros de inevitável - e desejável - modernidade. Mas nunca – e nisso se revela alguma da sensatez musical de Norberto Lobo – o tom geral deste conjunto de gravações resvala para uma apropriação “pós-moderna” dos elementos da tradição ou para um encobrimento bacoco da dívida que para com ela existe. Pelo contrário, a assunção dessas sonoridades que de alguma forma se tornaram de todos é cândida, descomplexada e fundamentalmente alegre, mesmo no seu registo intimista; e assim acaba por soar-nos também este disco."


Texto - Francisco Silva | Fotografia - Nuno Mendes